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Alguns Textos Católicos:
 
A "sexualidade" de Deus 
A aventura do povo de Deus 
A educação dos filhos 
A Imaculada Conceição de Maria 
A lama e o sol 
A paciência divina 
A querida santa dos impossíveis 
Agente de Pastoral da Saúde 
Assunção de Maria 
Clara de Assis 
Continuar a missão do Redentor 
Espiritualidade redentorista 
Felicidade 
Imagem de N. Sra. Aparecida 
Juventude e sexualidade 
O mistério pascal de Cristo 
O ramo que morreu 
Oração do jovem 
Oração na fossa 
Oração para todos que estão doentes 
Para atuar na cidade 
Páscoa judaica e Páscoa cristã 
Pastoral urbana 
Psicologia do enfermo 
Reconhecer Jesus 
São Roque, o peregrino de Deus 
Solidão 
Teologia da Semana Santa 
Ver a vida com amor 
Vida conjugal 
Vida monástica 
Viver na presença de Deus 
 

Páscoa judaica e Páscoa cristã

No tempo de Cristo, o rito da Páscoa era celebrado em dois tempos. No primeiro tempo fazia-se a imolação do cordeiro no templo de Jerusalém, na tarde de 14 de Nisan. No segundo tempo fazia-se a consumação da vítima na ceia pascal, na noite de 14 de Nisan, em todas as famílias. Durante a liturgia da ceia o pai de família, que só nesta ocasião era revestido da dignidade sacerdotal, presidia e explicava aos filhos o significado dos ritos. Nessa mesma ocasião fazia também a todos um resumo de todas as maravilhas que Deus fizera em benefício de seu povo. No tempo de Cristo a Páscoa passou a chamar-se "memorial" não só para lembrar a saída do Egito, mas também para lembrar todas as outras intervenções de Deus na história de Israel. A Páscoa era o memorial e o aniversário das quatro noites mais importantes do mundo: a noite da criação, quando a luz brilhou nas trevas. A noite do sacrifício de Isaac, oferecido por Abraão. A noite da saída do Egito, e a noite, ainda futura, da vinda do Messias (Targum sobre Êx 12,42).

Portanto, a Páscoa hebraica era um memorial (conforme a palavra de Êx 12,14) e era também uma expectativa. O drama aconteceu quando, ao vir o Messias esperado, ele não foi reconhecido, e "fizeram dele o que quiseram", e o mataram justamente durante uma festa da Páscoa. Mas, precisamente porque o mataram, realizaram a figura e cumpriram o que se esperava há séculos. Imolaram o verdadeiro Cordeiro de Deus. Enquanto, naqueles dias, como era costume dos judeus, Jerusalém fervilhava de gente para a celebração da Páscoa, ninguém suspeitava que numa "sala alta" da cidade estava acontecendo uma coisa que por muitos séculos todos esperaram. Cristo, depois de ter tomado o pão e dado graças, partiu-o e entregou a seus discípulos, dizendo: Isto é o meu corpo que é dado por vocês; façam isto para celebrar a minha memória (Lc 22,19). Esta palavra "memória" faz-nos lembrar imediatamente que esta mesma palavra estava contida no Êxodo, e faz-nos pensar numa nova instituição da Páscoa. Na verdade, permanece o antigo memorial, mas mandou ou melhor, cumpriu-se o seu conteúdo. De agora em diante a Páscoa será memorial de uma outra imolação e de uma outra passagem. "Tu és bendita, ó noite última, porque em ti se cumpriu a noite do Egito. O Senhor nosso Deus comeu em ti a pequena Páscoa e tornou-se ele mesmo a grande Páscoa; a Páscoa substituiu a Páscoa, a festa substituiu a festa. Eis a Páscoa que passa, e a Páscoa que fica. Eis a figura e o seu cumprimento" (Santo Efrém, Hinos sobre a crucifixão, 3,2; Th. I. Lamy, 1882, p. 656).
 

O MISTÉRIO DA CEIA RANIERO CANTALAMESSA
Editora Santuário.


Ver a vida com amor

Ninguém entra num jardim para ver só folhas secas. Entra para ver a beleza das flores. Ninguém entra num pomar para ver só frutas podres. Entra para ver os frutos bons e provar de seu gosto. Ninguém olha para o céu só para ver a escuridão da noite. Olha para ver o brilho das estrelas. Ninguém deixa de contemplar rosas, apesar dos espinhos que elas têm.
E assim por diante.

Dizemos que é um péssimo observador quem se prende só a detalhes sem ver toda a obra. Qualquer pintor, ao pintar os seus quadros, espalha as cores cuidadosamente. Aqui, acentua o claro. Ali, o escuro. Aqui, põe mais luz. Ali, põe mais sombra. Depois que tudo está pronto, é que expõe a obra à contemplação de todos. Quanto mais atenciosamente alguém examina os detalhes, mais sensivelmente há de sentir o enlevo dos sentidos e do coração na percepção da mensagem de toda a obra.

Nossa vida deve ser vista também sob este prisma. Ela é perfeita e bela. Seu autor é Deus. Por isso os altos e baixos não a enfeiam nem lhe tiram o brilho. As misérias e as fraquezas, as doenças do corpo e as tristezas do coração são como nuvens apenas que escondem o sol por pouco tempo.

Também essas coisas devem ser vistas com bons olhos e aceitas com amor. Gostaríamos que nossa vida fosse um caminho limpo, sem curvas, pedras e subidas; sem pó e sem obstáculos; sem encontrões e sem alterações. Mas, não adianta sonhar tais sonhos. Esta vida ainda não é o céu que esperamos!

VER A VIDA COM AMOR
ORLANDO GAMBI
Editora Santuário.


A lama e o sol

Houve um tempo em que se dizia que a lama vivia se queixando pelo fato de ser lama. Pesava-lhe ter de ser sempre sujeira. E dizia: "Que vida triste é a minha, e que triste é o destino que tenho, de sujar! Ah! se ao menos me fosse dado ser nada!" Assim dizia a lama, e depois, envolvia-se toda em sua imensa tristeza, sem a mínima vontade de olhar para nenhuma beleza que havia perto dela. E, chorando, ficava à espera da morte.

Mas, por mais que não quisesse, ela devia ver e ouvir as coisas mais bonitas. O canto dos pássaros, o perfume das flores, as águas das fontes, e ver, enfim, que tudo era festa. Nela só havia o contraste que doía até ao desespero, ou só ficavam junto dela algumas folhas secas que o sopro do vento derrubava...

Assim foi até que, um dia, aconteceu o que para a lama foi uma incrível surpresa. De repente, não se sabe de onde, veio um raio de sol que pousou nela, filtrando-se por entre as ramagens das árvores. Ele veio como alguém que gostava dela, e ficou aí por longo tempo. No dia seguinte, ele veio de novo, e de novo ficou com ela o tempo que lhe aprouve. Então, a lama acreditou que alguém podia tocar nela, sem se sujar, e disse em altos brados: "Ele tocou em mim, e não se sujou!"...

Dizem ainda que, depois de certo tempo, os dois acabaram se apaixonando, e a lama, principalmente, perdeu toda a vergonha de beijar! Ela notou que o raio de sol não era mais uma luz qualquer. E ela foi se tornando uma terra boa. E a terra boa começou a se transformar, a ter vida. E a vida era de flores que nasciam. E as flores que nasciam eram muitas. E as muitas flores pareciam as de um jardim. Por fim, a lama viu que o jardim de flores era a lama que ela, antes, era!...

VER A VIDA COM AMOR
ORLANDO GAMBI
Editora Santuário.


Continuar a missão do Redentor

"Continuar Jesus Cristo": A fórmula é de Santo Afonso. Enquanto muitos autores espirituais de seu tempo se contentavam em falar "de imitar Jesus Cristo", Santo Afonso prefere a expressão "continuar Jesus Cristo, continuar a missão do Cristo Salvador". Para ele, o importante não é procurar antes sua própria perfeição na cópia de um modelo; o importante é ligar-se ao Cristo que, em sua morte e glorificação, continua sua missão para a salvação do mundo. O que implica uma escolha prioritária: a de se pôr a serviço dos pobres, dos excluídos, dos abandonados.

Notemos, contudo, que a evangelização dos abandonados, empreendida por Santo Afonso e seus companheiros, não se realiza só fazendo missões junto deles. Diferentemente de numerosos missionários de seu tempo que, dizia, "passavam como a tempestade", contentando-se em suscitar uma emoção sem futuro, Afonso exige uma missão calma, de certa duração, dedicada a levar aos adultos uma catequese bem a seu alcance. Além disso, Afonso recomendava a seus companheiros instalar-se no meio dos pobres, que deviam evangelizar. Assim se encontravam em estado de missão permanente junto deles.

ORAR 15 DIAS COM SANTO AFONSO
JEAN-MARIE SÉGALEN
Editora Santuário.



Espiritualidade redentorista

Espiritualidade é conduzir a vida na vivência dos valores evangélicos guiados pelo Espírito Santo. Esta vivência toma modalidades diferentes de acordo com a época, tradições, tendências pessoais ou grupos que acentuam este ou aquele aspecto da riqueza do Evangelho, de acordo com o que o Espírito concede. Espiritualidade não é folclore devocional de um tempo determinado nem se reduz a práticas e métodos trazidos por uma tradição.

Toda espiritualidade é eclesial: com a Igreja e para a Igreja. Parte da celebração do Mistério Pascal de Cristo para fazer de cada atitude uma passagem pascal jubilosa na dinâmica do Reino que se atua com intensidade.

A característica base de nossa espiritualidade redentorista é o aspecto memorial do mistério de Cristo. Por isto nossa espiritualidade é cristocêntrica. Como continuadora de sua missão, é apostólica. É o Redentor que continua a sua vida e obra junto aos mais abandonados. E fazemo-lo como corpo, como comunidade. Vamos aos abandonados com um alegre e jubiloso anúncio (Evangelho) de transformação e conversão gaudiosa ao Cristo que se rejubila porque os pequeninos, simples e pobres acolhem a revelação. Somos evangelizados por eles. Por isso temos a característica popular: para o povo, com ele e a partir dele para o Pai. Com os olhos em Maria, a intercessora para a salvação, caminhamos movidos pelo Espírito que nos configura com aquele que é "nosso solo e nosso sol" (M. Celeste). Não para ser grandes, mas para a glória de Deus (Santo Afonso).

CONTINUAR O REDENTOR
Dimensões da Espiritualidade Redentorista
LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA
Editora Santuário.



A querida santa dos impossíveis

Não sei se Rita é a santa mais popular do mundo, mas parece. Vejam: só na Itália há mais de trezentas igrejas e capelas dedicadas a Santa Rita. Duvido que no Brasil haja menos. De norte a sul, nosso país está semeado de igrejas de Santa Rita. Temos vinte e quatro municípios chamados "Santa Rita"; só em Minas há onze! Basta conferir o Código de Endereçamento Postal, o CEP.

Sabemos que esse fenômeno se repete em toda a parte, na Europa, nas Américas e nas Filipinas.

Nossa Santinha até ganhou um apelido do povo: "Santa Rita dos Impossíveis", que significa bem o contrário: Para Santa Rita tudo é possível. Quem não acha solução, não vê saída, procure por ela! É tal a confiança dos devotos na sua Santa, que alcançam tudo o que lhe pedem. Numa novena semanal em honra de Santa Rita, escutei: "Ó Santa Rita, modelo das virtudes cristãs, intercessora poderosa dos casos impossíveis..." Tratam a Santa com aquela mesma confiança dos devotos da Virgem Maria, que lhe dizem: "O que Deus pode mandando, vós, ó Virgem, o podeis orando".

VIDA DE SANTA RITA
ALOÍSIO TEIXEIRA
Editora Santuário.



São Roque, o peregrino de Deus

Sabemos que São Roque nasceu na França, pelos fins do século treze ou no início do quatorze, de pais nobres e cristãos. Perdendo os pais ainda jovem, renunciou à nobreza e distribuiu seu rico patrimônio aos pobres para tornar-se pobre e peregrino como Cristo. Aos 20 anos saiu ocultamente de sua cidade, dirigindo-se a Roma e à Terra Santa em peregrinação de penitência. Durante a viagem, a cerca de 100 quilômetros de Roma, deparou com a peste negra que assolava a cidade de Aquapendente. Interrompeu sua peregrinação e se pôs à disposição dos empestados, tratando suas chagas, consolando-os e curando-os em nome de Jesus.

Após livrar aquela cidade da epidemia, ia reiniciar sua caminhada para Roma, quando lhe chegam notícias alarmantes sobre a devastação que a peste fazia entre as populações da Província da Romanha. Dirige-se imediatamente para as cidades de Cesena e Rimini, lutando contra a doença com suas preces e penitências, com seu trabalho e milagres.

Em Placência (Piacenza) encontra novo foco da doença e, no cuidado dos empestados, ele também contraiu a peste negra. Para não ser pesado a ninguém, e com o fim de se tratar, retirou-se para um bosque, situado à beira de uma nascente. Curado miraculosamente por Deus e miraculosamente alimentado por um cão, o nosso santo tomou o caminho para a última e derradeira etapa da caminhada de volta a sua cidade de Montpellier.

Após oito anos de peregrinação e de doação aos irmãos doentes, Roque deixa a Itália, que se tornará sua pátria como santo protetor contra as epidemias. Chega a Montpellier como migrante desconhecido. Tomado por vagabundo e espião, foi encarcerado por cinco longos anos. Morreu no cárcere com 32 anos de idade. Só então foi reconhecido como filho da terra, da nobre família Rog, e seus conterrâneos lhe tributaram honra e veneração.

Em 1485, a maior parte de suas preciosas relíquias foram transferidas para Veneza, onde a Irmandade, instituída sob seu patrocínio, construir-lhe-ia a mais célebre igreja. Aquela cidade foi o foco de irradiação de sua devoção e de seu culto para o mundo inteiro. A República de Veneza, rainha dos mares, contribuiu poderosamente para elevar o nome, o culto e a glória de São Roque.

VIDA DE SÃO ROQUE
JÚLIO J. BRUSTOLONI
Editora Santuário.



A aventura do povo de Deus

Mais ou menos três mil duzentos e tantos anos atrás, um povo estava começando uma grande aventura. Em primeiro lugar a aventura de se tornar povo, pois era gente de origens muito diversas e nem tinha a mesma religião. Mas tinha uma experiência que era de todos: era uma gente escravizada pelos habitantes e pelo governo do Egito. Em segundo lugar esse povo estava iniciando a aventura da procura da libertação, fugindo do cativeiro. Estava finalmente fazendo a aventura de acreditar num homem de nome Moisés. Esse homem dizia que um Deus, chamado Javé, tinha mandado que o levasse para longe do Egito, para uma pátria nova que lhe tinha sido prometida no passado.

A aventura da saída (êxodo) iria levar esse povo longe, para uma caminhada de muitos séculos. Iria passar por uma lenta evolução religiosa, social e política. Iria aprender cada vez melhor quem era Javé, quais eram suas promessas e exigências. Levaria bem uns duzentos e tantos anos para ter uma organização política mais elaborada, com um rei e um estado estruturado.

Esse povo seria mais tarde chamado de "Povo de Israel". Durante séculos ele iria unificar suas tradições, tomando consciência de uma unidade construída lentamente. Essas tradições familiares, sociais e religiosas iam sendo transmitidas de boca em boca, repetidas pelos mais velhos nas reuniões familiares, pelos cantores e cantadores nas rodas de conversa nas aldeias. Toda essa caminhada, todo esse esforço era orientado por Deus que até, de tempos em tempos, mandava homens e mulheres que guiassem seu povo.

Alguma coisa dessa tradição foi escrita logo no começo da história daquelas tribos. Mas muita coisa só foi escrita uns trezentos anos depois, quando já estavam na terra conquistada para ser sua pátria.

Sob a orientação de Deus, o povo foi vivendo sua história, passando por uma infinidade de experiências. E com isso foi aprendendo, depois de muito pensar e analisar os acontecimentos. Tudo que aprendia era transmitido por palavras contadas e cantadas, era escrito e reescrito para que não se perdesse. Foi assim, durante muitos séculos, que se foi formando a Bíblia do Antigo Testamento, essa coleção de escritos, histórias, poesias e ensinamentos. A aventura do povo dos filhos de Israel continuou até uns dois mil anos atrás, quando veio Jesus de Nazaré.

A AVENTURA DO POVO DE DEUS
História Sagrada do Antigo Testamento
FLÁVIO CAVALCA DE CASTRO
Editora Santuário.



O mistério pascal de Cristo

O ano litúrgico da Igreja surgiu de um fato decisivo para nós cristãos, como de um coração, que é o centro mais íntimo de um organismo, de onde parte e para onde tornam todos os vasos sangüíneos. O coração humano é o centro vital que irriga todas as células. Como órgão central, o coração abastece de sangue todas as suas partes, até as mais longínquas e tênues ramificações.

O ano litúrgico surgiu assim e desenvolveu a partir da experiência central do cristianismo como de um coração: o fato da Paixão-Morte e Ressurreição de Jesus.

Muitas vezes as pessoas pensam que o Natal é a festa mais importante do calendário litúrgico e que o primeiro domingo do Advento tenha sido o início cronológico do ano litúrgico. Nossa sociedade de consumo, as leis da economia de mercado dão um destaque especial a essa festa, mas nem sempre foi assim.

Esse tipo de colocação favoreceu a idéia de que o ciclo anual das festas cristãs procurava oferecer aos fieis todas as etapas da vida de Jesus, desde o seu nascimento até sua segunda vinda do fim dos tempos. O ciclo das festas cristãs não é uma representação cênica espiritual da vida de Jesus, integrada, com maior ou menor habilidade, no ciclo anual.

O ano litúrgico surgiu do Mistério Pascal e se tornou uma grande e frondosa árvore com muitos galhos , ramos e folhas. Sempre nasce do encontro da comunidade com o Senhor Ressuscitado, que é recordado, atualizado e vivido nos momentos da vida. O Mistério Pascal é, pois, o centro e a fonte do ano litúrgico.

VIVENDO A SEMANA SANTA
O mistério pascal celebrado no Brasil
Vários autores
Editora Santuário.



Teologia da Semana Santa

Como se pode compreender o sentido e a teologia desta semana que nós chamamos de santa?

A tradição do povo quis recordar os últimos acontecimentos históricos de Jesus de Nazaré. Não se trata apenas de recordar fatos passados, mas de um memorial que deve ser atualizado pelos fiéis. A Semana Santa é semana do encontro com o Cristo-Ressuscitado: nas celebrações litúrgicas, na sua Palavra e na pessoa dos irmãos da comunidade. As celebrações religiosas são a recordação dos últimos acontecimentos da vida terrestre de Jesus de Nazaré. Cada dia da semana é um fato a ser recordado e atualizado.

Trata-se da celebração do Mistério Pascal na sua globalidade, sem fragmentações, embora cada dia seja dedicado a um dos aspectos particulares. Havia e ainda há o perigo de romper a unidade do Mistério, separando excessivamente a celebração da morte da celebração da ressurreição. A leitura de episódios dos evangelhos pode ter uma repercussão nefasta sobre o total da celebração litúrgica e na vida de cada um de nós.

A liturgia da Semana Santa não é um simples jogo de representação teatral, mas atualiza sempre o único Mistério Pascal que não pode ser fragmentado.

VIVENDO A SEMANA SANTA
O mistério pascal celebrado no Brasil
Vários autores
Editora Santuário.



Reconhecer Jesus

Os quatro Evangelhos são nossa fonte principal para entendermos a pessoa de Jesus de Nazaré; a experiência, contudo, demonstra que poucos o conhecem através dos Evangelhos. Muitos de nós, primeiro, tomamos conhecimento de Jesus através de pessoas que o amam e que nos amam; pessoas que, naturalmente, gostariam que pertencêssemos à mesma comunidade de fé que as mantém em contato com o Senhor. A tradição cristã, para eles, não é mais do que o fato de permanecer na verdade que lhes fora apresentada como vida.

A realidade da tradição cristã é que as pessoas apresentam Jesus umas às outras. E a razão para tal é sempre a mesma: "para que creias que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome" (Jo 20,31).

Os Evangelistas tomaram parte nesse processo. Se não foram testemunhas vivas do ministério de Jesus, tomaram conhecimento da história de Jesus através de outros. Cada um dos evangelistas emergiu de uma comunidade diferente; cada um deles recebeu uma mensagem de salvação de pregadores e mestres de uma geração anterior; cada um deles transmitiu, criativamente, a tradição que recebeu. A Igreja, portanto, deu vida aos Evangelhos, e não o contrário.

Ao lermos os Evangelhos, encontramos uma relação de pessoas e grupos que reagem de modo diferente perante Jesus e sua mensagem. Não conhecemos Jesus apenas através daqueles que experimentam uma nova vida nele, como também através daqueles que a ele se opuseram e rejeitaram sua mensagem. Explorando tal variedade de reações, gradualmente os evangelistas nos envolvem no mistério de sua doutrina e, ao mesmo tempo, nos levam a formular nossas próprias perguntas. Qual é nossa posição em relação a tudo isso? Quem é Jesus para nós?

MPRESSÕES SOBRE JESUS
DENIS MCBRIDE
Editora Santuário.



A educação dos filhos

A educação é uma exigência fundamental do homem que, nascendo, deve aprender dos outros como exercer suas capacidades: como se alimentar, caminhar, falar, escrever, trabalhar etc.

O fenômeno da educação é tipicamente humano: somente o homem pode e deve educar-se. Ao nascer, o homem não possui qualquer especialização, mas através do ensino e da aprendizagem, isto é, pela educação, tem a capacidade para adquirir as mais variadas especializações. Por meio da obra educativa o homem especializa-se e, conseqüentemente, individualiza-se, torna-se um "eu", torna-se "pessoa", consciente.

A educação é uma obra dos "outros" que influenciam a vida de cada um; mas, em primeiro lugar, é obra dos pais, da família.

Nas condições ideais, a família nasce do amor dos esposos, que se tornam "uma só carne" e transmitem a vida humana a novos seres. Mas, como para nascer a criança precisa do amor dos pais, assim também, para ser educada, a criança necessita desse clima de amor dos pais e da família toda.

O amor nasce do encontro entre as pessoas; e, quando as pessoas se encontram, se falam, realizam um diálogo.

A educação pode ser definida como um diálogo entre gerações. Através do diálogo da educação, as gerações mais experimentadas transmitem às mais jovens a riqueza de seus conhecimentos e vivências. Desse modo, a humanidade não recomeça a cada geração, pois as novas gerações podem acumular todo o cabedal que recebem dos antepassados, começando, assim, do ponto em que eles pararam.

FAMÍLIA E EDUCAÇÃO
SUELY RAMPAZZO
Editora Santuário.



Juventude e sexualidade

Durante incontáveis gerações, o comportamento sexual dos adolescentes tem preocupado seriamente várias pessoas; não necessariamente porque os adultos pensem que os jovens sejam imorais, mas porque a sexualidade é uma força poderosa na vida humana. A maneira como as pessoas usam (ou abusam) o comportamento e as atitudes sexuais produz conseqüências futuras que você, como jovem, pode não conhecer de imediato simplesmente porque não possui as experiências da "vida real" que os adultos possuem. Essas conseqüências futuras, algumas vezes, incluem danos físicos, emocionais ou espirituais. Isso significa que o sexo arriscado transmite doenças (inclusive a AIDS), pode causar uma gravidez indesejada, uma formação emocional dolorosa no relacionamento homem/mulher, o peso da culpa e a perda da auto-estima.

Infelizmente, na longa história do Cristianismo, a Igreja nem sempre enfatizou a sexualidade como sendo uma dádiva de Deus. Existem várias correntes obscuras que navegam através das águas luminosas do Cristianismo. Uma destas correntes tem sido a crença equivocada de que há duas forças iguais e opostas no universo ¾ uma boa e outra má. O espírito é bom e a matéria é má. O corpo humano não é uma das obras divinas, pelo contrário, é um erro. Pessoas que acreditam nisso pensam que o corpo humano é mau; pensam que a sexualidade não é uma dádiva de Deus, e sim um fardo; sexo é algo vergonhoso. Esse ponto de vista é contrário ao plano de Deus, que nos diz que a sexualidade é uma dádiva boa que o Senhor nos deu.

SEXUALIDADE - Um guia para os jovens de hoje
DANIEL L. LOWERY
Editora Santuário.



Oração na fossa

Hoje não posso levantar os olhos, Senhor, tão abatido e deprimido estou.
Nunca imaginei que poderia ficar prostrado. Às vezes sinto uma vontade enorme de morrer.
Todo dia ando cheio de tristeza.
Estou profundamente decepcionado com os homens em quem tanto confiei. Olha o que eles aprontaram para mim.
Minha alma dói. Estou triste como um passarinho que encontrou seu ninho destruído. O peso da vida me oprime com sua amargura. Só o Senhor tem condições de me apoiar numa hora tão desgostosa.
Teu plano de amor me esclarece. A dor da derrota ensina-me a beleza da cruz.
Pelo sofrimento sei que virá vida nova. Só a semente que cai na terra pode produzir fruto.
Bendize, minha alma, ao Senhor.
Confio no teu poder de me erguer de novo. Sem tua ajuda, nada posso fazer.
Tu me alegraste, Senhor, com teus feitos. Exulto com as obras de tuas mãos.

REZAR É FÁCIL
LUÍS KIRCHNER
Editora Santuário.



Agente de Pastoral da Saúde

Diante de um mundo marcado pela doença e pela morte, a Igreja se apresenta como uma mensagem de vida, de saúde-salvação, que atinge o homem todo. Junto ao homem de hoje, que necessariamente deverá passar pela morte e conhecerá a enfermidade, ela continua o papel de Cristo, que "passou fazendo o bem" (At 10-38) para que todos tenham mais vida (cf. Jo 10,10).

Imitando a Cristo, que veio libertar o homem do pecado e de suas conseqüências, que afetam a sociedade humana e a cada um dos homens, o agente de pastoral deve também lutar contra tudo o que impede o homem de atingir sua plena realização, anunciando a vida e a ressurreição em Cristo.

A ação Pastoral da Igreja se estende a todas as dimensões da vida humana. A Igreja se interessa pela promoção da pessoa humana, e a leva a lutar por melhores condições de vida, pela defesa da justiça e da fraternidade. Dessa forma, a voz da Igreja se tornará mais familiar aos ouvidos sensíveis de quem se encontra em situações desfavoráveis, dos marginalizados pela sociedade e de todos os que sofrem.

PASTORAL DA SAÚDE NA PARÓQUIA
Formação de equipes.
Editora Santuário.



Psicologia do enfermo

Todo doente é um ser único, especial, com reações próprias, conforme sua formação e personalidade.

Ao vermos uma pessoa que sofre de um mal físico, costumamos nos deter apenas no corpo, esquecendo-nos de que o doente deve ser visto como um todo: no sentido físico, moral, social, psicológico e espiritual; às vezes o interior está mais machucado do que o corpo.

O doente não é uma máquina a ser consertada, mas uma pessoa que quando atingida pela doença, apesar de continuar a amar, a odiar e a pensar, não é a mesma de sempre.

O ritmo de vida é violentamente cortado e passa a ter todas as atenções voltadas para si. Busca de todas as formas, com todas as forças, reequilibrar sua saúde, sua vida.

De um lado tem o corpo doente, com suas fraquezas e limitações, percebe sua fragilidade e finitude; de outro, seu espírito está com toda vitalidade, mas é incapaz de fazer algo por si. Essas duas forças incompatíveis o atormentam, gerando crises de comunicação consigo mesmo, com o espaço e o mundo, com a família, com os amigos, com Deus.

PASTORAL DA SAÚDE NA PARÓQUIA
Formação de equipes.
Editora Santuário.



Clara de Assis

Clara traz no nome a si mesma e o seu destino. Mesmo nos santos, é raro um brilho tão natural. Dela, tudo transluz como gotas destiladas, por assim dizer, da fé e, ainda, da liberdade que nela tem o hábito calmo da certeza e da paciência.

Nasceu em Assis, em 1193, da nobre família dos Offreducci. O pai Favarone era conde de Sassorosso. Após a destruição do Castelo, durante as desordens de 1198, a família transferiu-se para dentro dos muros, para um belo palácio situado na Praça São Rufino.

Clara teve duas irmãs, Catarina e Beatriz, e um irmão, Bosone. A mãe Ortolana era cristã fervorosa, tanto que participou de numerosas peregrinações, chegando à Terra Santa e ao Sinai. Não é, pois, de estranhar a profunda piedade de Clara, desde a mais tenra idade. A menina manifestou logo fé intensa, desejo vivíssimo de perfeição cristã. Não pode, então, surpreender se foi tomada pelo testemunho do jovem Francisco e se começou a ouvir, nas igrejas vizinhas (de São Jorge e São Rufino), suas pregações, que acabaram por conquistá-la.

Inicialmente Clara foi atraída pelo espírito de aventura e pelo espírito cavalheiresco de Francisco. Depois, foi arrebatada por sua fé ardente e por seu amor de fogo pelo Senhor. Não se tratava de entusiasmo passageiro de adolescente, mas de algo profundamente radicado, que devia transformar sua existência e tomar a forma de rígida regra de vida, condição necessária para elevar-se ao conhecimento místico de Cristo Crucificado.

VIDA DE CLARA DE ASSIS
LUCIANO RADI
Editora Santuário.



A "sexualidade" de Deus

Deus escolheu o caminho da fecundidade em Maria para fazer-se presente homem entre os homens e enviou sua mensagem à jovem pré-escolhida.

Assim, Deus entra na dimensão nupcial do homem; se Deus, por assim dizer, realiza um ato sexual, é o de fazer fecunda Maria de Nazaré.

Uma fecundação especial de amor, sem genitalidade, mas sempre uma penetração, bem mais total e profunda, porque foi a penetração do Espírito que, procedendo do Pai e do Filho, fez Deus "esposo" de Maria Virgem e pai de Jesus, enquanto o filho se tornou tal, também por Maria.

A nupcialidade adquiriu, assim, a nobreza que lhe advém da escolha divina e que provém pelo fato de ser igualmente um atributo do próprio Deus.

Assim cremos melhor ainda na fecundação divina de Maria e na exaltação da sexualidade humana, por séculos marginalizada no limbo das fraquezas humanas. Mas Deus mesmo recorreu, mesmo de modo extraordinário, à fecundação, isto é, a um ato eminente e totalmente sexual!

Por isso, olhamos com gratidão o fato do nascimento de Jesus e pedimos à Igreja que olhe com maior confiança e menos suspeita para a sexualidade, santificada em Maria.

O EVANGELHO SEGUNDO OS CASAIS - vol. 1
SANDRO PALAMENGHI
Editora Santuário.



Felicidade

Felicidade perfeita é só no céu, mas ela deve começar na terra!

Chorar com quem chora também é um modo de levar felicidade!

Por incrível que pareça, muitos não sabem ser felizes alegrando-se com quem se alegra!

Quero-te a felicidade de ver tudo cor de rosas!

Quero-te a felicidade de falar bem sobre o amor, e a felicidade de amar fazendo o bem!

Quero-te a felicidade de seres atendido pelos ricos, e a felicidade de atenderes os pobres!

O segredo da felicidade de Teresa de Calcutá está em fazer aos pobres o que muitos não fazem a ninguém!

Toda a felicidade não é a graça de ter tudo, mas é a graça de ser tudo para todos!

Ter tudo neste mundo não é a felicidade do céu, mas não ter nada faz a terra ser um inferno!

Certamente não é pequena a felicidade que Deus promete a quem atende os pobres!

Se o pão faltar para a maioria, não é só a maioria que ficará sem a felicidade da paz!

Lembra-te que a tua felicidade não pode ser só tua!

PAZ & BEM
ORLANDO GAMBI
Editora Santuário.



Solidão

A solidão mais comum é a da paixão que satura!...

A solidão que mais dói é a terrível sensação do vazio!

A maior solidão não é a falta de tudo. É não sentir falta de Deus.

O maior mal da solidão é pensar só no mal!

A solidão, às vezes, vem do acúmulo de sensações e, às vezes, vem da falta de emoções!

Não é o barulho nem o sossego que cura o mal da solidão!

O bem da presença dos homens não faz o bem da presença de Deus!

Profundamente egoísta é aquele que deseja estar sempre só!

Estar na solidão com Deus é procurar o melhor para todos!

Estar só não é o mal da solidão. Estar vazio é o maior mal de estar só!

Tudo depende: há solidão que é o caminho mais próximo de Deus, e há a solidão que é o caminho mais próximo das loucuras!

É falta de caridade deixar na solidão. É uma infelicidade ficar sempre na solidão.

Por incrível que pareça, é no meio das multidões que muitos morrem de solidão.

PAZ & BEM
ORLANDO GAMBI
Editora Santuário.
 



Viver na presença de Deus

Algumas pessoas parecem repletas de calma e paz interior. Exteriormente suas atitudes são gentis, cheias de bondade, paciência, satisfação, generosidade e felicidade. Suas palavras, seus atos e atitudes refletem serenidade interior. Quando encontramos pessoas assim, imediatamente elas nos impressionam pela aparência de bondade e autenticidade que possuem. Qual será o segredo destas pessoas, indagamos.

O fato é que, ao invés de invejá-las, tentar descobrir seu "segredo", temos, sim, de aprender a viver mais próximos de Deus. Ele é a fonte de toda bondade, paz, alegria e generosamente compartilha estas dádivas com aqueles que vivem nele e com ele.

A maneira como devemos nos aproximar mais de Deus está sabiamente expressa no parecer de São Francisco de Sales: "Cuide para não se esquecer de Deus enquanto trabalha. Imite as criancinhas quando caminha: elas seguram na mão de seus pais... Preste atenção em seu trabalho, mas de vez em quando pense no Senhor para pedir-lhe ajuda e para ver se o que está fazendo é do seu agrado. Deste modo você realizará melhor e mais facilmente até as tarefas mais difíceis".

Cultivar a experiência de viver na presença de Deus foi descrito como a "virtude das virtudes". O Irmão Carmelita Lawrence, que viveu no século dezessete, via esta experiência como somatória de uma completa vida espiritual. Ele acreditava que qualquer um que "experimentasse a presença Divina diariamente, logo poderia tornar-se um ser espiritual".

No Antigo Testamento, Deus instruiu Abraão: "Anda em minha presença..." (Gn 17,1).

COMO VIVER CADA DIA COM DEUS
FLORENCE WEDGE
Editora Santuário.



Vida conjugal

Certa vez um casal brigou e se trancou. Não conversavam mais. Só através de bilhetinhos, quando necessário mesmo.

Mas o silêncio conjugal ia se tornando enervante. Era preciso voltar às boas. Nenhum dos dois, porém, queria dar o braço a torcer.

O jeito seria, sempre através de um bilhete, provocar um susto, um impacto. Assim pensou o marido. Assim fez. Inventou uma viagem e pôs no bilhete: "Amanhã vou viajar para longe. Favor acordar-me às 6 horas".

Agitado como estava, só conseguiu conciliar o sono altas horas da noite. Quando acordou, já era dia claro. O relógio marcava mais de oito horas. A mulher se esquecera de acordá-lo? De chamá-lo? De maneira nenhuma. Em cima do "criado-mudo" havia outro bilhete:

"São seis horas. Levantar-se!"

Concluíram que o bilhete não resolve todos os problemas. Ele soltou uma gostosa gargalhada. Ela também. E tudo voltou à vida normal.

ORAÇÃO DA VIDA 1
CLÓVIS BOVO
Editora Santuário.



A paciência divina

Abraão estava assentado em frente à sua tenda, apreciando a tarde.

Aproximou-se dele um velho curvado ao peso de cem anos, apoiado num bastão. O patriarca o recebeu, bondosamente, lavou-lhe os pés, e ofereceu janta. Antes de comer, reparou que o homem não invocou a Deus. Perguntou-lhe, pois:

- Você adora a Deus? Ou quem você adora?

- Eu adoro o Fogo. Ele é meu Deus.

Abraão ficou tão zangado que o expulsou da sua tenda. Logo em seguida Deus chamou Abraão e perguntou por que tinha mandado embora o forasteiro.

- Ele não te adora, respondeu.

- Abraão, disse Deus em tom de censura, eu agüentei esse homem durante cem anos, embora me renegasse. E você não pôde suportá-lo nem uma noite, quando nenhum mal te fez?

Abraão, envergonhado, foi buscar o velho, pediu desculpa e o acolheu.

ORAÇÃO DA VIDA 1
CLÓVIS BOVO
Editora Santuário.



Imagem de N. Sra. Aparecida

A imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada no rio Paraíba, é de barro cozido ou terracota. Cor escura. Mede 39 centímetros de altura. Seu nome de Nossa Senhora Aparecida se prende ao fato de ter sido encontrada no rio Paraíba. Figuradamente, é a que apareceu nas águas. Ela representa Nossa Senhora em sua Imaculada Conceição. Por isso, seu título completo é Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Estamos acostumados a vê-la revestida de rico manto azul, bordado de ouro e ornado com pedras preciosas. Isso não faz parte da imagem original, são adornos acrescentados para mostrá-la como Rainha e Padroeira do Brasil.

Quem modelou a imagem foi Frei Agostinho de Jesus, monge beneditino carioca, no mosteiro de Santana do Parnaíba, em São Paulo.

A estatuazinha, de traços delicados, se apresenta com um sorriso nos lábios, descobrindo os dentes da frente. O rosto arredondado tem uma covinha no queixo. O penteado trabalhado cai em duas pequenas tranças ladeando a fronte ampla. Nos cabelos aparecem flores e há um diadema com três pérolas pendentes. As mãos postas, pequenas e delicadas, são como as de uma menina. As mangas da túnica, simples e justas, vão até o punho. Tanto a túnica como o manto são pregueados e chegam ao chão. Aos pés estão uma cabecinha de anjo e uma meia-lua, como geralmente é representada a Imaculada Conceição.

O material humilde e a cor escura da imagem têm um significado muito próprio: a Senhora Aparecida, a serva do Senhor, solidariza-se com os escravos e os mais abandonados, dos quais é especialmente Mãe. Disse um escritor que o castanho escuro de sua cor é a "tonalidade em que interferem as cambiantes das cinco raças do mundo. É uma mensagem anti-racista, uma proclamação do universalismo católico, que abrange todos os tipos humanos, sem predominância de uns sobre os outros. É o sentido ecumênico da Igreja".

A Virgem, através da linguagem desta estatuazinha, pede-nos amor fraterno, solidariedade cristã, respeito à dignidade humana. Ela própria é a Imaculada, a mulher sem mancha de pecado, exemplo de pureza.

A água, na qual foi encontrada a Imagem, sempre foi símbolo do batismo, da purificação, de novo nascimento para a vida de fé e de conversão para Deus.

MANUAL DO DEVOTO
DE NOSSA SENHORA APARECIDA
MISSIONÁRIOS REDENTORISTAS
Editora Santuário.



Oração do jovem

Aqui estou, Senhor, cheio de juventude e de esperança. Sinto em meu corpo e em meu íntimo as forças da vida que me impulsionam para o crescimento e para a plenitude da idade adulta.

Sois vós, ó Pai, que me chamais à existência e me dais uma missão a cumprir neste mundo. Sois vós que me concedeis a graça da fé e alimentais em mim a esperança da salvação. Sois vós que me ofereceis o vosso amor e pedis que eu vos ame, amando a meus irmãos deste mundo.

Ajudai-me, Senhor, para que eu desenvolva e empregue para o bem as energias que tenho em mim. Que eu seja capaz de colaborar para uma sociedade mais fraterna, mais verdadeira e mais justa. Que eu não desanime em minhas falhas, não me deixe arrastar pelos maus exemplos e não perca o ânimo nas decepções.

Concedei que a minha presença e minhas atitudes façam renascer a esperança dos mais velhos e contribuam para levantar os que fracassaram. Que eu conserve a coragem de ajudar e não caia nunca nas garras do egoísmo.

Que o amor que sinto nascer em mim não se apague e que meu coração esteja sempre aberto para vós e para todos.

Iluminai-me com vossa Sabedoria, para que eu saiba distinguir entre o bem e o mal, a verdade e o erro, o que edifica e o que destrói. Dai-me docilidade para respeitar e ouvir os que têm mais experiência, principalmente meus pais e aqueles que são responsáveis pela minha formação.

Que estes chamados para a verdade e para a justiça, que ressoam em meu interior, se concretizem pela adesão consciente à Igreja.

Dai-me o Espírito Santo, para que, com os outros jovens, a exemplo de Jesus Cristo, eu me transforme em sangue novo para perpetuar a salvação. Assim seja.

MANUAL DO DEVOTO
DE NOSSA SENHORA APARECIDA
MISSIONÁRIOS REDENTORISTAS
Editora Santuário.



Vida monástica

A vida monástica não é uma estrutura que garanta, por si, o bom êxito; é um caminho no deserto. Neste se deve ir seguindo na caravana do povo de Deus, cada um com sua própria bagagem, para poderem, todos juntos, alcançar a meta.

No deserto é fácil cair, ser presa de epidemias, perder de vista o destino, ser enganado por qualquer miragem, desfalecer antes de chegar ao lugar desejado. A um certo ponto sobrevem o desalento, hora em que não se sabe mais como nem por que ir adiante. Esse desnorteio, essa obscuridade ocorre para todos, também para quem parece possuir carismas especiais e ter sido privilegiado pelo Senhor com dons e proteções extraordinários. Nem mesmo os maiores profetas como Natan, Eliseu, Jeremias foram livres dos momentos de obscuridade. Também para eles houve dias em que se sentiram incapazes de profetizar, dias em que contestaram com força a própria vocação. Na vida monástica não se está absolutamente seguro de nada. Às vezes, não obstante os abundantes dons de Deus, não obstante um caminho de noviciado fulguroso, não obstante um elan inicial que pareça permitir ao jovem passar adiante de outros mais velhos, chega a certo ponto a paralisia, a tentação, a fuga. Por isso é absolutamente necessário que a oferta da própria vida, as promessas, os votos venham unicamente em resposta a Deus, em conseqüência do seu amor que precedeu em nos chamar.

O MANTO DE ELIAS
Itinerário espiritual para a vida religiosa
ENZO BIANCHI
Editora Santuário.



A Imaculada Conceição de Maria

Nossa Senhora disse no seu cântico Magnificat que todas as gerações haveriam de proclamá-la bem-aventurada (Lc 1,48). No nosso tempo também, como nos séculos passados, os cristãos não cessam de celebrar as grandezas de Maria.

Foi em 1854 que, através do Papa Pio IX, a Igreja declarou oficialmente como dogma de fé a Imaculada Conceição de Maria, isto é, que a Mãe de Deus foi "dotada, desde o primeiro instante de sua conceição, de uma santidade inteiramente singular" (Concílio Vaticano II, Constituição Lumen Gentium, n. 56). Mas já os antigos Santos Padres e Doutores ensinavam que Maria é toda santa, imune de qualquer mancha de pecado. No ano 1476, foi incorporada ao calendário religioso a festa da Imaculada Conceição, instituída pelo Papa Sixto IV, e celebrada dia 8 de dezembro.

Entre o povo brasileiro, desde os primeiros tempos da sua história, tem sido grande a devoção à Senhora da Conceição, como bem o provam as muitas igrejas erguidas em sua honra em todo o território nacional, entre as quais algumas famosas, como Conceição da Praia em Salvador, Conceição de Antonio Dias em Ouro Preto e a Basílica de Aparecida.

OFÍCIO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
JOSÉ RAIMUNDO VIDIGAL
Editora Santuário.



Assunção de Maria

Minha mãe Maria morreu porque,
de novo no céu,
dela eu tinha saudades, e ela de mim.
De corpo e alma ela foi para mim:
tinha de ser assim, não é mesmo?
Os dedos, que tinham tocado a carne de Deus,
não podiam ficar imóveis na morte.
Os olhos, que a Deus contemplaram,
não podiam fechados ficar.
Os lábios, de tantos beijos em Deus,
não podiam gelados morrer.
O corpo tão puro, que a Deus dera um corpo,
não podia podre perder-se na terra.
Eu não podia, era impossível,
seria demais para mim.
Ainda que eu seja Deus, sou seu filho,
e tenho nas mãos o poder.
E depois foi ainda, diz o Senhor,
foi pelos homens meus irmãos que o fiz.
Para que tenham no céu sua mãe.
Uma de verdade, igual a eles, de corpo e alma.
A minha.

O melhor de Michel Quoist
QUANDO A VIDA SE FAZ PRECE
MICHEL QUOIST
Editora Santuário.



O ramo que morreu

O ramo que morreu,
que jamais terá folhas novas,
nem flores, nem frutos,
ramo que a vida para sempre deixou...
para ele ainda resta
uma possibilidade maravilhosa:
aceitar o ser lançado ao fogo.
Com isso o ramo, que para nada mais servia,
faz-se luz, faz-se calor
para todos que estão na casa.
Ofereço-te, Senhor, agora
os ramos secos de meu dia.
Sei que, lançados no fogo de teu amor,
haverão de transformar-se.
... Mas muitas vezes, nas noites de tempestade,
deixo meus ramos mortos apodrecendo pelo chão.

O melhor de Michel Quoist
QUANDO A VIDA SE FAZ PRECE
MICHEL QUOIST
Editora Santuário.



Pastoral urbana

A Pastoral Urbana é um grande desafio para a Igreja. As reuniões e seminários realizados até hoje, em torno do tema «Pastoral Urbana», serviram para mostrar a necessidade de adequar as pastorais ao que é próprio da cidade na sua organização, símbolos, culturas e relações, que se apresenta bastante diferentes de outras épocas. São necessárias mudanças significativas na liturgia, na forma de governo, na organização das Igrejas locais para que haja acolhimento das pessoas que vivem na cidade. A Pastoral Urbana só avançará na medida em que avance a comunhão cristã na cidade.

A Igreja, pois, não pode ser indiferente à cidade. Ao contrário, oferece-lhe serviços, porque ela mesma está a serviço da cidade temporal. Ela não só dá testemunho da cidade eterna, mas tem que salvar a cidade temporal. E é nessa salvação da cidade temporal que anuncia e prepara a cidade eterna. Portanto, a Igreja está subordinada à redenção, à restauração da cidade, para que essa se torne verdadeiramente humana.
 

ACOLHER É EVANGELIZAR
A Qualidade Total Aplicada à Evangelização
VICENTE PAULO ALVES
Editora Santuário.


Pastoral urbana II

Para atuar na cidade

Para que a Igreja possa atuar melhor na Pastoral Urbana ela precisará rever:

* suas práticas pastorais;
* sua organização comunitária;
* seu anúncio da Palavra;
* sua resposta à diversificação do exercício ministerial ordenado e laical;
* sua acolhida ao homem da cidade.

É certo que cada cidade tem a sua problemática que exigirá respostas diferenciadas com muita criatividade. Mas também é certo que os sacerdotes, os agentes de pastoral, os membros das equipes de liturgia de uma mesma cidade deverão estar cada vez mais unidos, porque no futuro a pastoral será exercida cada vez mais numa ação conjunta. Por isso, nossa ação pastoral deve somar forças e não definir limites. A Pastoral Urbana exigirá uma prática inteligente, criativa, afetiva e efetiva de articulação.

ACOLHER É EVANGELIZAR
A Qualidade Total Aplicada à Evangelização
VICENTE PAULO ALVES
Editora Santuário.



Oração para todos que estão doentes

Senhor, muitos de nós neste mundo estão doentes. Não estamos passando bem e não gostamos disso. Alguns conhecem suas doenças e suas causas. Outros não, mas esperam descobrir. Peço-te hoje, que estejas com cada um de nós. Dirige-te a nós como o fazemos a ti. Ajuda nossos médicos a nos ajudar para que possamos recuperar as forças e nossa saúde.

"Impondo-lhes a mão, os curava" (Lc 4,40).

ORAÇÕES NA DOENÇA
GERALD BOURESSA
Editora Santuário.